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Uma história emocionante-Sofia volta para sua mãe

Data: 01/03/2011

Há 20 meses tive que ir às pressas ao Santuário de Sorocaba, no fim da madrugada, pois o primeiro bebê de Guga e Samantha tinha nascido. Ambos chimpanzés foram criados por nós desde menos de um ano de idade, e, já adultos, produziram o primeiro fruto de amor entre ambos. Mas o drama de 20 meses atrás terminou nesta sexta-feira, 25 de fevereiro.

Naquele dia Samantha não pegou o bebê, que chamamos de Sofia, depois do seu nascimento. O bebê estava embrulhado no chão, entre lençois e cobertores. Eu entrava no recinto a cada choro do bebê, que ainda tinha o cordão umbilical e a placenta pendurados em seu corpo, e Samantha pegava o "embrulho" e o levava para cada canto do quarto.

Eu queria interferir o mínimo possível, porém ela não me deixava pegar o bebê e tampouco o pegava ou o colocava junto ao seu peito, que é o que as mães chimpanzés fazem para auto-estimular a produção do leite.

Todo o Santuário parou ante o drama que tínhamos na nossa frente. Após 10 horas transcorridas, o bebê permanecia no chão, embrulhado, talvez até com o perigo de afogar-se e nós, na dúvida do que fazer. Às 3 horas da tarde tomamos a decisão de tirar o bebê, que cada vez chorava menos. O dia era frio e a hipotermia era uma ameaça maior. Conseguimos enganar Samantha e tiramos a Sofia. Ela chorou, mas nunca guardou mágoas de minha atitude.

Sofia foi cuidada pela equipe do Santuário, cresceu forte, esperta e apareceu em programas de TV filmados no Santuário. Nesses 20 meses a levamos de vez em quando para ver sua mãe e seu pai. Samantha queria o bebê, mas ainda era imprudente entregá-lo, já que dependia de nós a sua alimentação, uma vez que Samantha não conseguiria lhe proporcionar.

Construímos um novo recinto, com um grande túnel aéreo, de forma a facilitar a integração de mãe e filha em um ambiente novo, controlado e perto do grupo original de Guga. Ele, alías, tem acompanhado de perto todo este processo com grande ansiedade.

Na sexta-feira passada, 25 de fevereiro, era o dia "D". Peguei Sofia no seu recinto e a levei de carro até o novo local, onde sua mãe, Samantha, a aguardava, talvez pressentindo o que aconteceria.

Apesar de uma equipe de TV estar filmando o reencontro, no momento do primeiro contato só eu e a cinegrafista do Santuário ficamos para não interferir ou alterar, especialmente a mãe. Eu entrei primeiro sozinho com a Samantha, deixei que ela me fizesse "grooming" e lhe falei de Sofia, que estava a trazendo para ela. Minutos mais tarde trouxe a Sofia e o primeiro contato foi pela grade. Depois contivemos a respiração e rezamos algumas preces: Sofia entrou no recinto onde a mãe a esperava. No início Sofia agia com desconfiança, nunca tinha estado sozinha com um chimpanzé adulto. Samantha, com a paciência e a delicadeza que toda mãe tem, ia seguindo e procurando. Ela queria pegá-la no colo.

A busca pela intimidade demorou algumas horas. Nós as deixamos sozinhas e sabíamos que não existia mais nenhum perigo. Elas se entenderiam. À tarde a aproximação já era maior. Decidimos deixá-las dormir juntas. No dia seguinte, a integração já era uma realidade. O abraço da mãe e da filha fechava aquele doloroso processo, para nós e para elas. Samantha está grávida novamente e talvez Sofia lhe ajude a entender o que deve fazer na hora do nascimento do novo bebê. Talvez Sofia estimule a mãe a dar de mamar ao seu próximo filho ou filha.

Agora só falta o pai, que aguarda o momento de juntar-se a ambas. De alguns metros de distância ele vê que mãe e filha já convivem como se nunca tivessem sido separadas. Samantha não pode ser culpada por sua atitude inicial, pois era uma órfã que nunca tinha visto a maternidade perto dela. Agora poderá entender o erro que cometeu e quão recompesador será para ela cuidar de seus bebês.

O abraço de ambas aqui registrado por nosso pessoal fala por si só. As palavras estão demais!

Dr. Pedro A. Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional

Uma história emocionante-Sofia volta para sua mãe

Fonte: Site do Projeto Gap

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